Redução

Como Rio Grande passou de 100 a 45 mortes violentas em um ano

Uma força tarefa, coordenada pela Polícia Civil, conseguiu reduzir os homicídios e outros indicadores

Foto: Divulgação PC - Força tarefa: PC e BM se concentraram no combate às facções criminosas, com a coordenação da delegada Lígia Furlanetto

A cidade de Rio Grande enfrentou nos últimos anos, uma estabilidade nos índices de mortes violentas. Historicamente baixos, de 2019 (36 homicídios) até o mês de novembro de 2021 (31), a população viu explodir os homicídios em dezembro daquele ano, em um crescente ao longo de 2022, culminando com 100 mortes naquele ano, a grande maioria, execuções. A explicação para a explosão neste crime contra a vida, foi a disputa pelo controle do tráfico de drogas local, entre duas organizações criminosas, os Manos, vindos da região metropolitana de Porto Alegre e a organização comandada pelo conhecido Fábio do Gás. Este ano, após o intenso trabalho policial, os números baixaram para 45 mortes violentas, sendo 35 homicídios, dois feminicídios, um latrocínio e sete mortes em confronto.

Conforme a delegada regional, Lígia Furlanetto, a facção oriunda da região metropolitana, com base no Vale dos Sinos, passou a tentar obter territórios na cidade através de criminosos locais insatisfeitos com a atuação do grupo criminoso até então estabelecido. Este, por sua vez, contra-atacava e tentava defender seu espaço. Além disso, outros criminosos se aproveitaram dessa instabilidade para promoverem "acertos de contas" pessoais, aumentando ainda mais os índices de mortes violentas.

Enquanto a comunidade, assustada, exigia que os órgãos públicos se responsabilizassem por dar um fim a violência, a segurança pública organizava diversas estratégias de ações para o combate aos homicídios e às organizações criminosas. Foram então estabelecidas e executadas operações, envolvendo todos os órgãos de segurança pública.

Força tarefa
O trabalho começou a ser executado e entre as ações, se destacam o aumento de efetivo atuante na cidade, resultando em uma maior efetividade nos índices de prisões e apreensões de drogas e armas e criação de uma força-tarefa especializada na investigação de homicídios visando a responsabilização não só dos executores, mas também dos mandantes e líderes das organizações criminosas.

A força-tarefa, inclusive, culminou com o estabelecimento, este ano, da Delegacia de Polícia de Homicídios e Proteção à Pessoa em Rio Grande. Ainda conforme explica a delegada regional, um outro destaque nesta luta contra o crime foi a transferências de lideranças criminosas presas na Penitenciária Estadual de Rio Grande (Perg), para outros estabelecimentos prisionais, inclusive para o sistema penitenciário federal. "O mérito também deve ser dado às várias operações policiais, que desarticularam e descapitalizaram as facções, com prisões e apreensões de drogas e armas", observou a policial.


A redução
Como resultado desses esforços, Rio Grande apresentou significativa redução nos índices de CVLIs - Crimes Violentos Letais Intencionais. De 100 vítimas em 2022, Rio Grande passou para 45 vítimas em 2023, ou seja 55% a menos de um ano para outro.

A força tarefa, inclusive, teve reflexos positivos também em outros importantes índices de criminalidade. Houve 67% de redução nos roubos de veículo. O destaque neste indicador é que todos os veículos roubados em 2023 foram recuperados. Os roubos a pedestre tiveram queda de 28%; o roubo a transporte coletivo apresentou redução de 43%. "É importante salientar que estes três crimes apresentam os menores indicadores desde o início da série histórica, em 2014", apontou a delegada Lígia Furlanetto.

Ação de desarticulação
Uma grande ação, se deu em 5 de julho deste ano, conseguiu desarticular e descapitalizar a organização criminosa de Rio Grande, comandada por Fábio do Gás, que hoje cumpre pena na Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas. A ação culminou com a prisão preventiva do ex-diretor da Perg, Leandro Brinkerhoff Suanes, apontado como integrante da organização e acusado de levar celulares, drogas e dinheiro para dentro da casa prisional.

Considerado o principal alvo desta segunda fase da Operação Perg, Suanes é apontado como personagem de extrema importância dentro da facção. O Ministério Público, através da quebra de sigilo bancário, apontou que ele movimentou em suas contas bancárias, no período entre dezembro de 2018 e fevereiro de 2023, o valor de R$ 7,3 milhões.

Também foi cumprido um segundo mandado de prisão, contra um líder de galeria, identificado como responsável pelos contatos e pagamentos aos agentes penitenciários que levavam materiais ilícitos. Somente entre julho e novembro de 2022, este apenado movimentou R$ 545 mil em uma de suas contas bancárias. Ele é apontado como o responsável por arregimentar agentes, colocando-os em contato com integrantes da facção fora da penitenciária.

Mais tarde foi preso o segundo no comando da facção criminosa, Sidney de Oliveira Bastos Junior, que estava sendo investigado desde 2017 pela Polícia Civil de Rio Grande, que além de controlar o tráfico de drogas e emanar as ordens de execução dos homicídios, controlava o cartel de gás, ameaçando os comerciantes assim como sua mulher, Daniela Simon, responsável pela contabilidade da facção.

"É muito importante destacar a grande integração entre todos os órgãos de segurança pública, Ministério Público e Poder Judiciário nessa difícil tarefa de combater o crime organizado e diminuir os índices de criminalidade. Após, outro desafio se impõe, que é o de manutenção dos índices e até mesmo diminuir ainda mais. Isso se faz por meio de um grande esforço coletivo, atuações conjuntas e investigações qualificadas, principalmente de lavagem de dinheiro, tendo por objetivo a descapitalização das organizações", finalizou a delegada Lígia Furlanetto.


Carregando matéria

Conteúdo exclusivo!

Somente assinantes podem visualizar este conteúdo

clique aqui para verificar os planos disponíveis

Já sou assinante

clique aqui para efetuar o login

Dados alertam para a desassistência a egressos prisionais na Zona Sul Anterior

Dados alertam para a desassistência a egressos prisionais na Zona Sul

Polícia Civil desarticula quadrilha especializada no furto de fios e cabos Próximo

Polícia Civil desarticula quadrilha especializada no furto de fios e cabos

Deixe seu comentário